• Alan Sambista

VIFF40 - MONEYBOYS (2021)


Parte da cobertura do '40th Vancouver International Film Festival'.


Na premissa de Moneyboys há uma temática forte e promissora que não é aproveitada pelo diretor.

O longa conta a história do cafetão Fei, um ex-prostituto que hoje tem experiência suficiente para poder gerir seu próprio agenciamento de garotos. Em conflito com a família que vive na zona rural da China, ele percebe que não é nada mais do que o 'menino do dinheiro'. Ele jamais seria aceito por sua sexualidade, por mais ajude a família financeiramente. Vivendo um romance com um dos garotos do seu meio, ele vive bons momentos, por mais sofra com os fantasmas do seu passado.


O que soa estranho nesse longa é que ele não parece contar uma história. É extremamente lindo, bem dirigido, uma fotografia moderna e que transmite um ar melodramático ao drama. O protagonista é no mínimo carismático, com uma história curiosa, marcada de feridas e claramente difícil.


O roteiro de Moneyboys é um verdadeiro tédio, e não é por excesso de diálogos ou por motivos complexos. É lento, morno e totalmente inesperado do que é prometido da sinopse. Não tem profundidade ou ação, como se nada acontecesse. A prostituição não chega a ser um tema de discussão, é mostrada de forma superficial, servindo de pano de fundo para a vida seca do personagem. Incluir um romance é previsível e consegue ser cansativo, ainda mais quando o desenvolvimento final do filme se baseia ao redor do casal.


É deprimente o quão mal aproveitado o filme foi. Tão mal aproveitado que não existe como extrair alguma licença poética do mesmo. Apesar dos belos visuais, não existe esforço para contar a história de Fei. O diretor até pode ser capaz de trazer vida ao seu filme, porém esquece de trazer vida à sua decepcionante história.




MONEYBOYS (2021)


3/5 - REGULAR


 
OUTRAS CRÍTICAS DO 40th VANCOUVER INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
 
BROTHER'S KEEPER (2021)
3/5 - REGULAR

Em um internato nos alpes turcos uma história que transparece frieza tanto em seu clima quanto em suas relações é contada no filme Brother's Keeper.


A narrativa prende o espectador logo no começo com a câmera seguindo de costas uma criança que é o centro da trama (Samet Yildiz) entrando em um banheiro conjunto onde várias outras crianças tomam banho, não se dá pra ter uma ideia do que se trata o filme até os próximos 10 minutos do longa, onde outra criança (Nurullah Alaca) entra na história em uma cena extremamente sensível e após esse ponto a trama se transforma em uma busca por ajuda e suas implicações.


A direção pontual e até imersiva de Ferit Karahan trás uma sensação de desespero, para todos os lados desse ambiente cinematográfico se enxerga algum tipo de sofrimento e isso trás uma sede de justiça para o espectador, o roteiro que segue uma linha tênue vai trazendo detalhes esporádicos, e os atos do filme trabalham quase como um efeito domino, culminando para um final que trás um sentimento de amargor e também alívio a trama.


Em resumo o filme reflete a vida miserável que muitas pessoas passam na região do oeste asiático e as consequências causadas por este caos, adultos consumidos por uma responsabilidade anormal, crianças que sofrem desde cedo ao aprender que a vida está fadada ao sofrimento e a crueldade extrema, a negligência gerada por toda essa cadeia de sofrimento que se origina da desigualdade social também é um ponto crucial, acredito que o longa captura todas essas nuances de forma concisa e ideal, construindo um filme que é auto reflexivo e dramático na medida certa.

 
WIFE OF A SPY
4/5 - BOM

Construído em mistérios e diálogos intrínsecos o longa Wife of a Spy é brilhantemente catártico.


O filme que se passa nos anos 40 no Japão se trata de uma história intrigante de um marido que é espião para uma causa revolucionária e sua esposa que perdida no meio de tudo tem seu mundo virado de cabeça pra baixo. O longa tem um claro caminho que vai de cenas bastante calmas e compassadas que lembram bastante filmes clássicos do Stanley Kubrick por exemplo, para depois desabar em plot twists que vão engrandecendo a cada minuto a história de forma totalmente inusitada. A direção de Kiyoshi Kurosawa é peça principal para transportar o espectador para o centro da trama, a trilha é de uma elegância ímpar, o roteiro é quieto porém explosivo nos momentos exatos, as atuações de Yu Aoi e Issey Takahashi carregam de forma muito significativa, ambos tendo bastante destaque no filme.


A elegância exuberante da fotografia é talvez o ponto principal do filme, as ambientações antigas também contribuem para construir uma atmosfera única, todos os pontos técnicos que atrelados ao roteiro que cativa e intriga transformam essa obra japonesa moderna em um provável futuro clássico do cinema internacional, com toda certeza um filme que deve ser visto por todos os públicos.