• Vitor Miranda

VIFF40 - MIRACLE (2021)


Parte da cobertura do '40th Vancouver International Film Festival'.


Ao tocar em assuntos delicados, Miracle é violento e nada sútil, no entanto possui uma narrativa intrigante que segura o espectador.

O filme é dividido em dois atos, o primeiro ato conta a história de Cristina Tofan (Ioana Bugarin), uma noviça grávida que foge para cidade para fazer um aborto e na volta encontra um destino fatal. O segundo ato acompanha Marius Preda (Emanuel Pârvu), o policial encarregado do caso que procura incansavelmente pelo culpado. O filme usa de metáforas nada sutis para falar sobre Deus e religião, e com algumas cenas longas demais acaba ficando um pouco arrastado. Porém quando o diretor Bogdan George Apetri decide abraçar uma abordagem mais pesada, o filme se torna uma sufocante busca pela verdade. A escolha de contar as duas historias partindo de um mesmo ponto é um dos grandes acertos do longa, essa escolha nos faz perceber a diferença entre os dois protagonistas e como cada um lida com as questões religiosas e sociais.


O roteiro pondera sobre a religião em todos os momentos, com destaque para a cena final que deve permanecer com o espectador por um bom tempo.


Com cenas longas e boa parte da história construída em cima de diálogos e reflexões sobre Deus, Miracle pode soar pedante, mas funciona bem como uma história sobre a violência e brutalidade humana.




MIRACLE (2021)


3/5 - REGULAR


 
OUTRAS CRÍTICAS DO 40th VANCOUVER INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
 
CELTS (2021)
2/5 - FRACO

Sem nada a acrescentar a debates sociais Celts é fútil, vazio e pedante.


O filme - que não possui uma história objetiva - acontece durante uma festa onde os pais e filhos interagem entre si. Enquanto as crianças brincam fantasiadas de tartarugas ninjas na sala, os adultos debatem sobre diversos temas sociais na cozinha. Nada aqui justifica a existência do filme, as conversas não são importantes e não carregam nenhuma grande crítica, na tentativa de fazer algo reflexivo, acabaram acertando na monotonia.


Com a direção impessoal e distante de Milica Tomovic e um roteiro vazio e pretensioso, o filme parece mais uma peça feita por estudantes de teatro. A única salvação são os atores, que apesar de terem personagens rasos e com desenvolvimentos clichês, possuem química entre si e conseguem entregar performances naturais.


Celts da voltas mas não chega a lugar algum e, ao final do filme, não conseguimos nos conectar com nenhum personagem ou tema abordado e sentimos um vazio que logo é preenchido pela indiferença.

 
THE GIRL AND THE SPIDER
3.5/5 - BOM

Retratado com simplicidade, The Girl and the Spider é sobre as marcas que deixamos, por mais pequenas que elas sejam.


Situado em apenas dois ambientes, acompanhamos a mudança de uma família que ao longo do filme conta com a ajuda de desconhecidos. O filme trabalha bem com enquadramentos que nos mostram a ação e reação dos personagens. É uma história simples mas que nas mãos erradas poderia se tornar algo monótono e vazio, no entanto, com uma direção lírica de Ramon e Silvan Zurcher e com uma trilha ambiente, o filme se torna uma experiência sensorial, delicada e hipnotizante.


Apesar de não desenvolver muito os personagens o filme possuí momentos íntimos que nos causam a sensação de estarmos invadindo a privacidade deles. O final trabalha como uma despedida, a família não precisará mais de ajuda, mas cada cômodo da casa carrega o peso dos que passaram por ela.