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Tribeca Film Festival Review #5 - God's Time / You Can Live Forever


Sometimes you just can't escape your own nature. No matter how much you try to change, the feeling of inertia will always bring you back to your worst reality. "God's Time" is a thrilling portrait of a group of people trying to escape it. The film follows Dev (Ben Groh) and Luca (Dion Costelloe), a couple of friends who are recovering from their addictions as they try to heal in a supporting group. Regina (Liz Caribel Sierra), who is also part of this group, vents about how her ex-boyfriend kicked her out of her own apartment and stole her dog. During these stories, Regina makes it clear she wants him dead. After she tells the group she got a gun, Dev and Luca enter into an aspiral of events with the intention of preventing something bad from happening.


This is Daniel Antebi’s first feature and what he accomplishes here is a true wonder. Antebi creates a dynamic and exciting narrative while never feeling rushed or overstuffed. He directs the action scenes with accuracy, making it hard to believe this is his first project. He completely dominates the direction of the film, being able to create an emotional and electrifying story that never loses steam. The emotional aspect of the film can come as a surprise because at first it doesn’t seem to match the tone, but Antebi masters the control of his narrative and hits all the right notes. Dev and Luca are trying to save someone who doesn’t want to be saved. Regina is aware of her own situation, but she can’t beat the struggle inside her. All three actors are exceptional, Groh and Costelloe have great chemistry together, but Sierra gives a heartbreaking and raging performance of someone trying to defeat addiction.


In the end, "God’s Time" truly soars above its own premise, being a more complex and interesting story than it seemed to be.


Em português

Às vezes você não consegue escapar de sua própria natureza. Não importa o quanto tente mudar, o sentimento de inércia sempre te trará de volta à sua pior realidade. "God’s Time" é um retrato eletrizante de um grupo de pessoas tentando escapar dele. O filme segue Dev (Ben Groh) e Luca (Dion Costelloe), um casal de amigos que estão se recuperando de seus vícios enquanto tentam se curar em um grupo de apoio. Regina (Liz Caribel Sierra), que também faz parte desse grupo, desabafa sobre como seu ex-namorado a expulsou de seu próprio apartamento e roubou seu cachorro. Durante essas histórias, Regina deixa claro que o quer morto. Depois que ela diz ao grupo que conseguiu uma arma, Dev e Luca entram em um espiral de eventos com a intenção de evitar que algo ruim aconteça.


Este é o primeiro longa-metragem de Daniel Antebi e o que ele realiza aqui é uma verdadeira maravilha. Antebi cria uma narrativa dinâmica e emocionante sem nunca se sentir apressado ou sobrecarregado. Ele dirige as cenas de ação com precisão, tornando difícil acreditar que este é seu primeiro projeto. Ele domina completamente a direção do filme, sendo capaz de criar uma história emocional e eletrizante que nunca perde o ritmo. O aspecto emocional do filme pode ser uma surpresa porque no início não parece corresponder ao tom, mas Antebi domina o controle de sua narrativa e atinge todas as notas certas. Dev e Luca estão tentando salvar alguém que não quer ser salvo. Regina está ciente de sua própria situação, mas ela não pode vencer a luta dentro dela. Todos os três atores são excepcionais, Groh e Costelloe têm uma grande química juntos, mas Sierra dá uma performance furiosa e de partir o coração como uma pessoa tentando derrotar o vício.


No fim, ‘God’s Time’ sobressai sua própria premissa, sendo uma história muito mais complexa e interessante do que parecia ser.


- Vitor Miranda


'You Can Live Forever' é um longa excepcionalmente belo e compreensivo. Transbordando quietude e simplicidade desde os seus primeiros minutos, o filme se apresenta como um filme intrigante mas não tão assertivo como aparenta. A obra conta a história de duas garotas, que tem vidas bem diferentes uma da outra, mas que se aproximam por uma conexão que vai além do contato básico entre pessoas da mesma idade. O enredo que se desenvolve lento porém de forma eficaz, vai se revelando aos poucos, com cenas lentas mas bem intensas.


O roteiro interessante desse filme trás um senso de acompanhamento, abordando uma relação muito bonita entre duas pessoas que se sentem presas em si mesmas, a trama vai sendo escrita de uma forma muito sutil e acolhedora, é quase como se o espectador pudesse estar dentro de todas as situações mostradas em cena; As atrizes principais fazem todo o trabalho de trazer a emoção as palavras de forma sucinta, os olhares se entrelaçam de maneira profunda, os momentos mais brilhantes são de afeto e entendimento mútuo, uma verdadeira história de paixão com a realidade sendo pano de fundo, ainda mais se tratando de um ambiente onde há um tipo de religião delimitando os espaços e os limites do relacionamento.


A direção e fotografia são completamente incríveis, os ângulos abertos e a iluminação que quase sempre está muito brilhante ou densa propõem um olhar ambíguo dos acontecimentos, onde o sentimento é expressado tanto para o lado ruim quanto bom. A narrativa que se faz crescente a todo instante se culmina nos últimos 15 minutos de filme, quando os acontecimentos mais tensos se dão lugar; e é nesse momento onde tudo se aflora da maneira mais triste e encantadora possível, pois há um sensação de afago na angustia que se perpetua ao longo da história, de forma satisfatória ou não cabe a interpretação, de todo jeito o impacto é sentido com obrigatoriedade.


- Bruno Miranda