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Tribeca Film Festival Review #3 - Family Dinner


Substantial coldness and a macabre atmosphere are the two biggest marks in 'Family Dinner', a terror that needs to be seen. Starting in a completely dense and enigmatic way, the film has grayish tones, a thought-provoking soundtrack and a character study that holds attention from the beginning. The directing in this film stands out in every aspect, in an intelligent way the camera works almost as a catalyst for emotions, packing the mystery that sets up a very scary plot.


Bringing the psychological terror to an almost palatable level is a difficult task, however,the script carries the story in an easy and organic way, at a slow but stable pace, the only four characters present, gradually demonstrate themselves; The main character 'Simi', brilliantly played by actress Nina Katlein, is the one who leads the story. Joined by her, Michael Pink (Stefan), Pia Hierzegger (Claudia) and Alexander Sladek (Filipp) also shine in their respective roles. The sensations transmitted by these people are strange: on the one hand, the characters Claudia and Stefan are polite as they are rude; Filipp is always aggressive and Simi is the representation of purity. Analogies to food disorders, obesity and gluttony followed by the numerous food scenes help create the main tone of the film.


Suffering is what makes the very core of this film, which is not at all ambiguous or confusing, the development works almost like layers of an onion, peeling intelligently and in the correct timing, giving time to a spectacular narrative construction. The silent acts of barbarism accumulate until they explode into a very violent, interesting and harrowing final act. There's no doubt that this film will not be an easy watch for most people, mostly because it is an exercise of understanding how the mind of a person who charges themself to the point of bodily and mental exhaustion.


- Bruno Miranda


Em português:


Com uma frieza absurda e uma atmosfera macabra, 'Family Dinner' é um terror que precisa ser visto. Iniciando de forma completamente densa e enigmática, o longa de 1 hora e 36 minutos trás a tela tons acinzentados, uma trilha sonora instigante e uma filmagem que prende o olhar desde o princípio. O trabalho de direção desse filme é incrível em todos os aspectos, de formas inteligentes, a câmera trabalha quase que como um catalisador de emoções, embalando o mistério que rodeia esse enredo, que por sinal é muito assustador.


Trazendo o terror psicológico a um nível quase palatável é bastante difícil, mas o roteiro dessa obra carrega a história com bastante facilidade, num ritmo lento mas estável, os únicos quatro personagens presentes em cena, se demonstram aos poucos; A personagem principal 'Simi' interpretada brilhantemente pela atriz Nina Katlein é quem conduz a trama, junto a ela os atores Michael Pink (Stefan), Pia Hierzegger (Claudia) e Alexander Sladek (Filipp) formam o elenco. As sensações transmitidas por essas pessoas é completamente estranha, por um lado os personagens Claudia e Stefan se aparentam gentis e educados, porém ao mesmo tempo rudes, Filipp se mostra sempre agressivo e Simi é a representação da pureza; com analogias a distúrbios alimentares, obesidade e gula, as inúmeras cenas de comida trazem o tom exato do filme que é o horror ao prazer do paladar.


O sofrimento é a base principal deste terror, que não é nem um pouco ambíguo ou confuso, a trama que funciona quase como camadas de uma cebola, se descasca de forma inteligente e no timing correto; dando tempo a uma construção de narrativa espetacular, os atos de barbaridades silenciosas se acumulam até explodir num ato final bastante violento, interessante e fugaz. Sem dúvidas esse filme não passará em branco por qualquer espectador, pois trata-se de uma provocação explicita e talvez incorreta sobre o que é estar na mente de alguém que se cobra ao ponto da exaustão corporal e mental.


- Bruno Miranda