• Alan Sambista

VIFF40 - THE BOOK OF DELIGHTS (2021)


Parte da cobertura do '40th Vancouver International Film Festival'.


O Livro dos Prazeres pode errar em muitos aspectos, mas a direção delicada de Lordy o guia para todo um encanto visual.

O Livro dos Prazeres pode errar em muitos aspectos, mas a direção delicada de Lordy o guia para todo um encanto visual, o que o torna lindo e vai o enchendo de vida conforme os passos de sua protagonista Lóri (Simone Spoladore).


A atuação de Spoladore é muito boa, por mais a do elenco seja péssima e artificial. A melancolia de Lóri é retratada lindamente, e os estágios de sua redescoberta espiritual é pura arte como se ela fosse uma arte em movimento. A sequência mais linda do longa é exatamente quando ela conquista a liberdade, em nenhum lugar tão especial, apenas nas águas de Copacabana.


Baseado na obra de Clarice Lispector, a qual eu não li, o roteiro tem situações incomodas e desconfortáveis de assistir que podem ser facilmente ignorados, mas acabam pesando num contexto geral. Como seu romance com o famigerado "mago", como ela mesma se refere, é completamente sexual, e quando ela cai de amores por sua lábia insuportável, se torna impossível torcer pelo casal.


Outro fato que poderia ter sido facilmente aperfeiçoado era a sua profissão. As sequências em que ela está trabalhando como professora não beiram ao ridículo, mas incomodam ao bom senso. Afinal, uma professora que trabalha em atiçar o desenvolvimento do senso reflexivo de crianças através do uso de poesias melancólicas é no mínimo sem noção. O roteiro se explica, mas ainda assim é um tropeço. Lóri estava em processo de busca pela própria liberdade e a sua realidade vai se refletir completamente à este acontecimento. E isso é bonito, na verdade, tudo parece poético nesse filme, principalmente a excelente e bem trabalhada fotografia.



THE BOOK OF DELIGHTS (2021)


3.5/5 - BOM

 
OUTRAS CRÍTICAS DO 40th VANCOUVER INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
 
SOUAD (2021)
2.5/5 - MEDIANO

O filme conta a história de duas irmãs e sobre como cada uma lida com o conservadorismo do Oriente Médio. Souad vive uma vida dupla, para sua família ela vive de um jeito, mas quando está longe deles ela se comporta de uma maneira completamente diferente. Após uma tragédia, sua irmã Rabab segue uma viagem em busca de respostas.


A questão da religião é muito bem representada aqui, ambas as irmãs encaram o hijab como uma máscara que elas usam para enganar sua família, e a sensação que fica é que elas só são elas mesmas nos momentos sem ele. Não entendo sobre a religião e o ponto aqui não é se ela é errada ou não, mas a forma como ambas encaram esse conservadorismo é um dos pontos importantes do filme e merecem ser discutidos.


Porém, ao focar nas relações dos jovens com as redes sociais, o filme toma um tom enfadonho e se transforma em um tipo de propaganda contra a internet, o que soa hipócrita visto que foi feito para criticar esse tipo de julgamento e conservadorismo.


No fim, ao escolher fazer do filme um aviso sobre os perigos da rede social, Souad acaba tendo um aprofundamento raso sobre o impacto da religião na personalidade dos que se veem oprimidos pela mesma.

 
QUEEN OF GLORY (2021)
4/5 - ÓTIMO

Sarah é uma estudante de doutorado na Universidade de Columbia em Nova Iorque e filha de imigrantes ganeses. Ela está planejando se mudar para Ohio com o seu namorado que é casado com outra mulher, mas os planos são interrompidos após a morte de sua mãe.


Nana Mensah faz um ótima estreia como diretora e roteirista conseguindo mesclar humor e carga dramática na medida certa. No entanto ainda é claro que se trata de uma roteirista principiante, pois nem sempre ela consegue escapar de clichês. Mensah que também interpreta a protagonista consegue navegar muito bem todos os sentimentos e mudanças a qual a personagem está passando enquanto convive com a rotina, amigos e familiares de sua falecida mãe.


A edição faz um bom uso de filmagem histórica de Gana durante o filme, mostrando tradições locais e evocando a ancestralidade de Sarah, culminando em um emocionante clímax onde ela encontra a si mesma.