• Alan Sambista

NIGHTMARE ALLEY (2021)




Um homem misterioso que ateia fogo sobre os fantasmas do seu passado, embarca em um ônibus e encanta-se pela magia e pelas falcatruas de uma trupe circense de uma pacata cidade por volta de 1930. Observando a selvageria de perto, Stan (Bradley Cooper) não está amedrontado pelo horror que acerca o local, ele está amedrontado em ser pego por não possuir um tostão para adentrar ao show de horrores. Em um antro de malandros, não demorou muito para Stan ser notado pelos membros do circo, que o dão a oportunidade de prestar alguns serviços e fazer parte do show. Na direção grandiosa e exibida de Guillermo del Toro, vivemos o mundo do circo de perto, tão de perto que se torna cansativo de acompanhar a evolução de Stan como um ilusionista, por mais o trabalho de Cooper seja magnífico.


Os melhores momentos de Stan é ao lado de Clem (Willem Dafoe), que nasceu para fazer o papel. Existe um desejo em ver mais da dupla Dafoe e Cooper, mas o desejo não é realizado. O destaque momentâneo do filme se torna a paixão calorosa de Stan por Molly (Rooney Mara) é massante, afinal, não existe um romantismo ou troca explícita de afeto entre os dois. Só existe um desejo incansável de Stan em tirá-la do circo e assim que ele a tira de lá, temos o fim da primeira hora de 'Nightmare Alley'. As duas partes do filme parecem diferentes, mas ainda são interessantes.


Enquanto em Nova York, no auge do sucesso, Stan e Molly vivem de seus truques mágicos sujos. Até que acabam ameaçados por uma mulher misteriosa que passa a enfrentar Stan durante seus shows. É incrível como a presença de Lilith Ritter (Cate Blanchett) trás magnitude ao filme, é impossível não falar que ela rouba a cena. Sua relação com Stan é interessante, e arrisco dizer que seja bem melhor que a primeira parte de 'Nightmare Alley'. Blanchett consegue tornar o clima tenso, ela carrega um suspense, um poder consigo que é grandioso. Ela consegue se tornar o centro das atenções e deixa quase criminoso o fato de escalarem Rooney Mara para um papel tão apagado. Ela literalmente não brilha.


Por fim, 'Nightmare Alley' passa a se tornar um típico noir nova-iorquino, bem manipulativo e repleto de reviravoltas. Pode não surpreender muitos, e com certeza não surpreenderá, mas o universo do filme é encantador e chamativo. Não tem como não ficar encantado com a produção de Del Toro, que cria um universo que somente ele conseguiria criar. 'Nightmare Alley' conta uma história que termina sendo tão trágica que chega a ser cômica. É curioso, porque é o roteiro que prejudica o filme, o torna cansativo e também apressado, podendo ter sido claramente mais polido durante o processo de adaptação. Algumas decisões criativas do diretor podem ter pesado na mesa de edição? Sim! Mas ainda é uma produção cuidadosa. É preciso reconhecer que foi a jogada inteligente do roteiro que fez o filme ter ainda mais sentido no final, mostrando que os verdadeiros monstros são na realidade - os humanos.


"NIGHTMARE ALLEY (2021)"
4/5 - ÓTIMO