• Vitor Miranda

CHICAGO FILM FESTIVAL - MADELEINE COLLINS (2021)


Carregado por uma ótima performance de Virginie Efira, ‘Madeleine Collins’ é uma angustiante história sobre uma vida em ruína.


O filme conta a história de Judith Fauvet (Virginie Efira), uma mulher que vive uma vida dupla em dois países diferentes. Em Genebra, tem um relacionamento e uma filha com Abdel (Quim Gutiérrez), e na França, é casada com Melvil (Bruno Salmone), com quem ela tem dois filhos. Judith tenta manter o controle de suas duas vidas, mas aos poucos as coisas começam a se complicar e ela se vê encurralada em uma rede de farsas e mentiras.


O filme desliza por conta de um roteiro confuso, com problemas de tom e que não decide qual história quer contar. Mesmo com o desenrolar da história e das mentiras de Judith, o filme não desenvolve direito às motivações da personagem. O retrato de uma mulher vendo suas duas vidas caindo em pedaços entretém o espectador até certo ponto, mas após o roteiro começar a andar em círculos a sensação que fica é que dez minutos a menos deixariam o longa mais objetivo e atrativo.


Apesar de pesar a mão na cena de abertura, Antoine Barraud acerta ao transmitir a ansiedade e desespero da personagem. Conforme Judith é desmascarada, suas atitudes começam a se tornar irracionais e violentas e a direção acompanha esses sentimentos de perto entregando sequências estressantes.



Mas o grande destaque do filme é a performance da atriz Virginie Efira. Assim como no longa “Sibyl” (2019), Efira constrói com primor essa personagem que ao se ver vulnerável, toma atitudes erradas uma após a outra e entra em processo de autodestruição, atingindo todos ao seu redor com sua instabilidade emocional. Mesmo com suas mentiras e atitudes de caráter duvidoso, Efira consegue lidar com sua personagem com uma certa sensibilidade que não é muito vista quando se trata de figuras dúbias como Judith. Ela transmite a exposição da personagem de maneira tão crua que mesmo após toda a dissimulação, nós sentimos pena da sua situação de desamparo.


Mesmo que não tenha muito a dizer, ‘Madeleine Collins’ é um excruciante retrato de uma mulher que vive fugindo de si mesma.


MADELEINE COLLINS (2021)
3/5 - REGULAR