• Vitor Miranda

EAMI (2022)


Parte da cobertura do International Film Festival Rotterdam.



Eami” é uma experiência sensorial sobre o luto e a cura. O que fazemos quando perdemos o que amamos? Quanto tempo dura para que estejamos totalmente curados das feridas causadas pela perda? Todas essas perguntas vêm de indígenas que observam o desmatamento se aproximando sem que eles possam fazer algo para impedir o fim de tudo aquilo que eles conhecem.


Eami significa floresta. Floresta significa casa. O que devemos fazer quando nossa casa é invadida e destruída, levando tudo que amamos e conhecemos com eles? Talvez Paz Encina não saiba a resposta para essas perguntas, mas ao fazê-las, a diretora constrói uma obra complexa e cheia de vida que mistura a realidade com a ficção para criar uma obra sobre a perda.


A perda em “Eami” não tem forma. É como se todos estivessem cercados pela perda, seja ela de pessoas que amamos ou do mundo que conhecemos. O filme é realista e questiona como o luto transforma o ser humano e o ambiente em que ele vive. Quando um personagem pergunta se somos iguais depois que perdemos os que amamos, essa pergunta permanece em nossa mente durante o resto do filme. Talvez nunca mais sejamos os mesmos, talvez o mundo nunca volte ao que era antes, mas assim como os personagens estão tentando seguir em frente deixando a floresta, nós também devemos, porque a vida continua, quer estejamos prontos para isso ou não.


Paz Encina sabia exatamente o que estava fazendo quando escolheu essa abordagem semi-documental para o filme. Cada cena é cheia de vida e não há um único momento artificial durante o longa. Esses momentos são poéticos e sublimes, à medida que a natureza e a vida se misturam e se tornam a mesma coisa. Na maioria das vezes isso funciona, mas às vezes o filme parece um pouco perdido à medida que a narrativa começa a se tornar mais repetitiva e duvidosa.


Após essa jornada na intimidade dos indígenas e nas suas conexões com a natureza, a narrativa de ‘Eami’ acaba se tornando bem mais rica do que o esperado, ponderando sobre a vida e a morte de uma maneira bastante segura e poética.


"EAMI" (2022)
3.5/5 - BOM