• Vitor Miranda

HALLOWEEN - O INÍCIO (2007)



Em Junho de 2006, foi anunciado que Rob Zombie iria fazer parte do novo projeto da série de filmes Halloween. Esse projeto acabou se tornando um remake de Halloween - A Noite do Terror, de 1978. O novo filme iria contar toda a história de Michael Myers, desde sua infância até a sua fase adulta. E durante o prelúdio, nós conhecemos um Myers nunca visto antes.


O filme começa mostrando como Myers tinha um péssimo ambiente familiar, com um padrasto abusivo, com sua mãe dançarina de clube de strip-tease e com uma de suas irmãs que sempre fazia questão de lhe menosprezar. Apesar de ter uma boa relação com a mãe, a única pessoa que gostava de Michael era sua irmã, Angel Myers, que ainda era bebê. Além do ambiente familiar, Michael ainda tem problemas na escola, onde sofre bullying dos outros alunos por conta da profissão de sua mãe. Repentinamente, Michael decide colocar um fim nisso e acaba matando brutalmente um desses alunos.


O desenvolvimento de Myers é um pouco clichê, como o menino que era maltratado pela família e com os primeiros sinais de alerta serem a escola descobrir os animais que ele matava, mas com uma direção bem executada e uma fotografia criativa, Rob consegue dar uma visão nova a história e ultrapassa as barreiras de um filme slasher para fazer um drama de estudo de personagem.


Após assassinar seu padrasto, sua irmã e o namorado dela, Myers é levado para uma espécie de prisão psiquiátrica e, após internado, Michael nunca mais diz uma palavra. Ele passa por um acompanhamento psiquiátrico que dura anos, e recebe visitas frequentes de sua mãe. Até que um certo momento, uma enfermeira faz um comentário agressivo direcionado a ele, resultando em sua morte. Deborah Myers, sua mãe, não aguenta mais carregar a culpa de ter dado a luz a um ser tão vil e acaba cometendo suicídio.


O filme ainda critica os abusos que os pacientes psiquiátricos sofrem na prisão. Michael sempre é menosprezado e humilhado pelos guardas e médicos, mas em umas das cenas mais fortes do filme, dois guardas levam uma nova paciente para o quarto de Michael e a estupram. Ao presenciar o ato, com provocações feitas a todo instante, Michael os mata e consegue escapar da prisão.


Ao escapar da prisão, Myers vai atrás da última pessoa que restou de sua família, Angel Myers, que agora se chama Laurie Strode (Scout Taylor-Compton). Entre esse jogo de gato e rato, uma questão que fica em aberto é se Myers quer ou não matar Laurie. Rob abre espaço para deixar o espectador decidir como vai interpretar o filme.



A presença de Tyler Mane, ator que faz Myers, é sentida através de todo o filme, mesmo em cenas que ele não aparece, a sensação que dá é que ele está por perto. É como se ele fosse uma imparável força de destruição que inevitavelmente cruzaria com o seu destino. Taylor-Compton é eficiente como a final girl, mas o seu papel nesse filme não é muito bem desenvolvido.


As cenas de perseguição são extremamente bem feitas e a tensão é tanta que quase sentimos o mesmo desespero que Laurie. Mas, para mim, as melhores cenas são os pequenos momentos de vulnerabilidade de Myers, como a cena que ele mostra para Laurie uma foto deles juntos, quando ambos ainda não tinham passado por aquele sofrimento irreparável.


Ao contrário da versão original, em Halloween - O Início você consegue sentir algo pelos personagens, algo que, a meu ver, coloca essa película como a melhor da série. Rob conseguiu criar uma história perfeita para Michael, sobre a negligência e o trauma que ele sofreu, e como isso acabou ocasionando um sofrimento indescritível a todos que passaram por sua vida.


HALLOWEEN - O INÍCIO (2007)

4.5/5 - Incrível