• Vitor Miranda

TEXAS CHAINSAW MASSACRE (2022)


[CRÍTICA COM SPOILERS]

Ao subverter as expectativas do longa original com uma abordagem anticlimática e brutal, ‘Texas Chainsaw Massacre’ acerta ao ser um trabalho individual sem intenções de fazer com que a nostalgia seja um fator essencial para o desenvolvimento da sua história.


Conforme acontece de poucos em poucos anos é normal que algum cineasta queira reviver uma franquia de terror, vimos isso acontecer recentemente com Halloween (2018) e Scream (2022), mas diferentemente desses citados a nova sequência de franquia do Massacre da Serra Elétrica não parece preocupada em resgatar a essência do trabalho original. O filme que trás novos personagens para a história parece indiferente com o histórico da franquia, servindo mais como um novo ponto de começo do que uma sequência direta ao longa de 1974. Apesar do retorno da personagem Sally Hardesty (interpretada por uma atriz diferente), o longa não lida com o trauma e o impacto do brutal assassinato de seus amigos como um tema sério para a sua história, pelo contrário, o filme parece ironizar o tema que foi o grande arco da nova sequência da saga Halloween. A presença da personagem pode ser facilmente declarada como descartável, visto que não houve qualquer tipo de desenvolvimento em sua história, mas apesar dessa falsa afirmação o retorno de Sally se demonstrou extremamente necessário para que a franquia pudesse continuar. Ao relativizar o trauma de Sally, David Blue Garcia destrói qualquer tipo de comparação com Halloween e Scream e cria uma nova narrativa violenta e cruel para a história: a indiferença com a vida humana.


Ao se distanciar de todos os personagens da trama, o filme se isola e funciona apenas como um massacre inevitável e desolador. A violência e as mortes do filme são bem realizadas - com destaque para a cena do ônibus que merece muito mais crédito do que tem recebido. O distanciamento entre o espectador e esses personagens parece intencional ao ponto de que nenhum arco pessoal é completamente desenvolvido. Garcia não quer criar um novo ícone para o hall dos personagens de slasher, nem um novo rosto pra franquia, pelo contrário, o diretor parece brincar com essa troca de faces ao não estabelecer um protagonista óbvio para sua história. As irmãs que parecem o centro de tudo dividem a atenção do filme. Enquanto uma lida com o trauma de um massacre escolar, a outra possui a personalidade chave de algumas final girls, mas assim como o diretor nega todas as expectativas, o final delas (que ironiza a última cena da versão original) não poderia ser diferente. Por mais frustrante e até mesmo ridículo que pareça, cabe ao espectador interpretar ou não as reais intenções do diretor.


Nesse banho de sangue que minimiza os sentimentos e as relações humanas, o filme eleva a discussão ao redor de sua narrativa para algo que, por mais difícil que seja admitir, mostra que não existe uma abordagem certa e definitiva quando o assunto é o trauma. A dor causada no outro pode muito bem ser diminuída e desprezada e o filme mostra isso fazendo com que no final, o mau gosto deixado na nossa boca seja algo intencional pra mostrar que nem tudo que envolva os nossos sentimentos seja algo preto no branco, mas sim uma variedade cores que muitas das vezes escolhemos ignorar.


"TEXAS CHAINSAW MASSACRE" (2022)
3.5/5 - BOM