• Bruno Miranda

CRÍTICA - ROSEMARY'S BABY (1968)


Atmosfericamente macabro, ‘Rosemary’s Baby’ é uma obra-prima do terror psicológico.


Ambientado na Nova Iorque dos anos 60, o filme traz elementos estéticos desde o seu princípio, com uma aura de mistério indescritível, uma trilha sonora que gera curiosidade, uma protagonista que transborda nuances de inocência e uma trama que além de arrepiante é completamente eletrizante.


A direção art house de Roman Polanski é de fazer inveja em muito cineasta, com ângulos plongée e contra plongée o diretor brinca de criar nuances visuais, enquadramentos certeiros também fazer parte de seu arsenal cinemático. Além da parte técnica, há uma poesia claramente escrita para impressionar o espectador, trazendo emoções como o desespero, a felicidade exacerbada, a dor física/mental e muitos outros sentimentos, que são retratados fielmente por Mia Farrow (Rosemary), em cenas pontuais e chocantes.


O longa não é apenas uma história clássica de horror, mas um mergulho dramático no sofrimento de uma mulher, que além de ser enganada por todos a sua volta, se vê refém de uma situação que jamais imaginaria estar. Um reflexo direto a situação de muitas mulheres na sociedade, e o que elas passam para se manter viva.


Perder o interesse neste filme é quase impossível, visto que além do seu ritmo frenético, o enredo se desenvolve de maneira rápida, não entregando todos os detalhes de uma vez, mas de forma esporádica. Com 2 horas de duração, o auge catártico do longa se dá do meio para o final, onde Rosemary percebe na enrascada sem volta em que se meteu, tentando fugir de todas formas, a personagem não tem êxito, mas é na clausura e na desesperança onde ela se vê completamente abraçada pela escuridão e, nesse momento ela se entrega, finalizando o filme de forma icônica e eficaz.


De todas as maneiras, o filme funciona perfeitamente e entrega uma experiência estupidamente deliciosa, sem dúvidas a aclamação gigantesca que o título possui faz jus e, se tratando de uma obra que inspirou milhares de outros filmes, as expectativas que possuía se cumpriram.