• Bruno Lima

RODA DO DESTINO (2021)


Naturalidade em sua excelência, Roda do Destino (Wheel of Fortune and Fantasy) é um daqueles filmes que não possuí distrações estéticas, visuais ou técnicas. O que nós experienciamos ser o núcleo de importância de Hamaguchi aqui, são os pontos de partidas de seus personagens expressos através de diálogos — que por serem tão bem elaborados, chegam a ter aspecto metafísico.


A prosa entre os personagens é transmitida de forma interior e natural por eles através de seus diálogos, Hamaguchi abusa do tempo, e a dinâmica desses mini-curtas ao que o filme é proposto, é subposta diante do seu incrível dote em criar diálogos. Com sua ambientação de uma quase direção "invisível" que utiliza o mínimo possível de distrações, para que o foco seja somente os movimentos interiores dos personagens expressados através do diálogo, em uma intenção de que nada seja alterado, e que entregue uma plena naturalidade, nós somos envolvidos ao todo, em uma graciosa imersão fleumática de três episódios.


Todo o encanto do filme dá-se aos incríveis indivíduos criados nele. O que também torna a ser nítido, é a gigantesca e direta influência de Ryusuke com Eric Rohmer aqui, não só em termos de composição como criador, como também diretamente à sua obra 'Four Adventures of Reinette and Mirabelle' que partilha do mesmo ar de construção narrativa.


Com 3 episódios independentes, de aproximadamente 40 minutos cada, Roda do Destino ao todo é abraçado em pequenas questões reflexivas do coração, moral e comportamentais de seus personagens diante de suas escolhas, possibilidades e desejos que ocasionalmente transados com o destino, nos expressa o quão nossas vidas por vezes, é redimida de encontro ao outro.



"RODA DO DESTINO" (2021)
4.5/5 - EXCELENTE