• Vitor Miranda

MOSTRA SP - PEGANDO A ESTRADA (2021)


Parte da cobertura da '45ª Mostra de Cinema de São Paulo'.

A direção de "Pegando A Estrada" explora os sentimentos do elenco tão intensamente, que o longa se torna galático.

"Hit the Road" tem a mesma vibe irresistível de "Little Miss Sunshine (2006)", é leve, divertido e engraçado. Outro fato curioso é que a maior parte do filme se passa também dentro de um veículo e adentro dessa felicidade que o longa transmite, existem nuances deprimentes de uma realidade inquieta e complicada para os personagens. O contexto que os personagens estão inseridos é uma casca de ferida, eles nunca conseguem se livrar dela, então, eles vivem correndo como se houvesse uma "fuga" de realidade. E parece nunca ter fim. O filme não mostra o motivo pelo qual estão fugindo, mas ao pesar todos os acontecimentos do longa, fica bem claro que eles estão dando o sangue para conseguir escapar do passado.


A direção é incrível, tem cenas extremamente lindas e bem filmadas no deserto oriental. Sequências mágicas que mostram a imensidão da noite, uma ótica grandiosa e que encanta profundamente. O roteiro consegue ser incompreensivo, e assim, os planos acabam sendo parados demais, causando a impressão de que o filme possui uma duração maior do que possui. Ainda assim, é um filme criativo e interessante. A sequência final é tão tocante, porque vemos uma criança que não tem tamanha noção do que estava acontecendo pondo todo seu entusiasmo para fora em forma de música, enquanto sua mãe, que dirige o carro, tenta esconder as lágrimas cantando junto com ele. É um filme tão imersivo ao explorar sentimentos, diria que é quase galático.




PEGANDO A ESTRADA (2021)


3.5/5 - BOM


 
OUTRAS CRÍTICAS DA 45ª MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO
 
OS INVENTADOS (2021)
2/5 - FRACO

Com uma premissa chamativa em sua sinopse, "Los Inventados (2021)" expõe uma ideia no mínimo curiosa - um workshop de atuação que te fornece a chance de trocar de persona. A oportunidade de viver, agir e pensar como outra pessoa. Despertando a curiosidade de forma automática, o filme mostra Lucas, um jovem ator misterioso, silencioso e que não parece se preocupar em expor seus sentimentos ou algo do tipo. Ele é uma página em branco, não sabemos se ele está realmente agindo como ele mesmo agiria. O primeiro ato do longa é bem interessante, o tão falado workshop ganha vida numa espécie de cabana e nesse espaço os demais personagens encarnam outras personalidades. Existe toda uma expectativa em torno de Lucas, pois existe um suspense em descobrir quem ele realmente seja, o que é muito bom. Porém, essa narrativa instigante e promissora que vimos se torna uma maçante história de amor. No seu segundo ato, o filme parece escorar-se no romance chifrim de Lucas (Gastón Dubini) e Sabrina (Rosina Fraschina). Um romance que acontece num formato tão sem graça, que acaba estragando toda a experiência do filme. O workshop de atuação se torna apenas um pano de fundo para o romance dos dois e o longa fica estagnado em sequências entediantes de um casal que ainda está se conhecendo. O que pode ser visto na sinopse de "Los Inventados (2021)", por fim, não é explorado no filme. É um longa tecnicamente bonito que falta ter uma história para contar. O ato de inventar um romance para preencher o vazio do filme foi preguiçoso e desinteressante, já que o filme poderia ter sido um bom curta-metragem sobre o escape e a troca de identidades.