• Bruno Miranda

PARALLEL MOTHERS (2021)


'Madres Paralelas' se junta ao catálogo de pedras preciosas cinemáticas de Almodóvar.


Com uma sensibilidade ímpar, o longa de 2 horas, se mantém estável do início ao fim, com uma narrativa clara entre duas mulheres, o roteiro sucinto do filme é apenas um mero detalhe perto da beleza estonteante que possui. Trazendo como pano de fundo a estética avermelhada emblemática do iconoclasta espanhol, o trabalho de câmera coloca a imagem como centro catalisador de emoções.


Penélope Cruz mais uma vez em um papel esplêndido (talvez o melhor de sua carreira), dá lugar a um espaço de compartilhamento emocional, que é quase raro de se ver em um cenário tão frio, que é o atual cinema mundial.


Costurando o pessoal ao interpessoal, Almodóvar vai construindo a história em pedaços, com ângulos curiosos, expressões focadas, e demais recursos audiovisuais, como por exemplo uma trilha sonora digna de clássicos dos anos 50.


A história de duas mulheres que se conhecem na maternidade de um hospital, traz uma conexão que percorre ao longo dos anos. Mal sabia a personagem de Milena Smit, que sua recém conhecida estaria atrelada a sua vida de tantas formas. De forma misteriosa, a gravidez conjunta das personagens é uma conexão direta ao vínculo de carência emocional das mesmas, e é no desencontro vital da narrativa, onde elas encontram moradia, tanto emotiva quanto literal.


Além do trama principal há uma linha tênue que trabalha no âmbito político da história, com o passado conturbado de Janis, há uma justiça a se buscar por um passado de sua família, que anseia pela desova de corpos que foram esquecidos por consequência de um genocídio de guerra, e é nesse ponto que a construção narrativa se dá origem, gerando ligação direta e indireta, de todos os personagens apresentados no longa.


Elogios para esse filme não faltam, há cenas de tirar o fôlego, e cenas tão cotidianas que beiram o banal; Porém é no realismo, que a obra prima cinemática se faz jus, trazendo poesia crua e nua, da tela, aos olhos.


"PARALLEL MOTHERS" (2021)
5/5 - OBRA-PRIMA