• Vitor Miranda

MET MES (2022)


Parte da cobertura do International Film Festival Rotterdam.


"Met Mes" é um retrato metalinguístico e ácido sobre a vaidade e as consequências de nossas ações. Sam de Jong cria um universo exagerado, materialista e estiloso, onde cada relação humana é questionada por seus valores.


O filme segue uma apresentadora de TV chamada Eveline (Hadewych Minis) que deixa seu emprego para ser levada a sério como cineasta. Ela ganha uma câmera de presente e decide gravar um documentário sobre sua comunidade, mas o rumo das coisas muda quando Yousef (Shahine El-Hamus) e seu amigo roubam sua câmera. Para receber dinheiro da companhia de seguros, ela mente para a policia dizendo que Yousef a ameaçou com uma faca. Quando Yousef vai para a cadeia por causa de sua mentira, ela começa a questionar tudo ao seu redor.


A fotografia colorida e exagerada ajuda a criar o mundo materialista e artificial que cerca os personagens. Todos se vestem e se comportam do mesmo jeito, como se estivessem seguindo um padrão para se encaixarem socialmente. A abordagem metalinguística do filme questiona a moralidade de todos os envolvidos, desde o personagem até o próprio diretor. Ao questionar sobre como as pessoas são objetificadas para terem valor, o mesmo não se encaixa para atores que entram nos personagens para criar seus filmes? O diretor parece não ter respostas fáceis para essa pergunta.


A direção de Sam de Jong navega entre esses temas com uma narrativa única. Por mais mão pesada que seja, a direção do filme nos coloca no lugar de entrevistador e entrevistado, brincando o tempo todo com as questões que tornam a humanidade complexa do jeito que é. Sem ser enfadonho, o diretor mostra o quão hipócrita e injusta a sociedade pode ser quando se trata do nosso próprio egoísmo.


Como Eveline disse, seu documentário é "uma investigação anatômica sobre as consequências de uma mentira", e se olharmos por esse lado, Jong pode dizer que seu filme é um estudo sobre a capacidade humana de se adaptar a um mundo materialista e artificial enquanto buscamos razão para nossa própria existência.


"MET MES" (2022)
4/5 - ÓTIMO