• Bruno Miranda

CRÍTICA - HOUSE (1977)


Banhado em insanidade e colagens pop art inacabáveis, ‘Hausu’ é um clássico de terror japonês.


Em uma história insana e extremamente divertida, o longa mostra a aventura de uma menina (Oshare) e suas amigas, que decidem viajar para a casa de sua tia que vive sozinha numa mansão no interior do Japão. Estando na casa, todo tipo de loucura acontece, mas é na comédia camp e nas representações visuais malucas que o longa acerta em cheio. A edição e a direção são outros pontos altos do filme, trazendo montagens e ângulos desconcertantes, foco e desfoco, efeitos de todos os tipos, cortes rápidos e até, de certa forma, mal feitos. Todos esses elementos são usados de forma quase esquizofrênica, impossibilitando o espectador de se sentir conectado diretamente com o longa, contudo, é impossível parar de assistir.


Há cenas de todos os tipos durante o filme. Personagens sendo mortos de diversas maneiras cômicas, cenas de drama exacerbado, momentos de mistério totalmente inspirados em filmes clássicos de suspense e até cenas trash onde a tela verde aparece (de propósito ou acidentalmente).


A linguagem visual do longa trabalha de forma conjunta com o roteiro absurdo, mas são as nuances das atuações exageradas que trazem o ouro do filme. Personagens como a ‘Kung Fu’, que traz cenas de artes marciais completamente absurdas; ‘Melody’ que está tocando o piano sempre que pode; ‘Sweet’ que é totalmente obcecada por limpeza; ‘Fanta’ que é a medrosa do grupo; ‘Mac’, trocadilho para comida, é a gula em pessoa; ‘Fantasy’ representa seu nome de forma literal, é sonhadora como se pode imaginar; ‘Prof’ é a nerd que sempre busca uma razão lógica para as coisas, mesmo assim nunca consegue achar; ‘Oshare’ é a principal de toda a turma e é a imagem exata da vaidade.


A serotonina causada pelo longa é imediata. A energia de todos os cenários traz uma sensação de nostalgia, principalmente para quem acompanhava muitos cartoons desde a infância. A duração do filme também colabora de forma eficaz, com 1 hora e 27 minutos se tem uma viagem visual que, por mais que você tente, não conseguirá esquecer com facilidade.