• Bruno Lima

CEMITÉRIO DO ESPLENDOR (2015)



"Você é estrangeiro, você não entenderia"

Em Cemitério do Esplendor (2015), o diretor Apichatpong Weerasethakul te conduz à uma experiência terapêutica e utopista.


Uma senhora carismática, uma jovem sensitiva que tem o dom de comunicar sonhos, deuses acessíveis, uma escavação de mandato governamental, e um tipo de reino abaixo de uma antiga escola e atual hospital que está a tratar de soldados de guerra que permanecem inertes em suas macas, dormindo infindavelmente.


Em dado momento, somos introduzidos a um tipo de exercício por um mentor. A cena nos regressa à uma tranquilização profunda e resgate de consciência-estado. Enquanto em outro ponto do filme através de uma sequencia cromatizada, que tem início no hospital sobre as ferramentas que estão a induzir bem-estar aos soldados em sonho, o público é colocado em justaposição à terapia das cores que está sendo induzida aos soldados da sala do hospital de uma forma, também, desguarnecida. Como se estivéssemos em uma narrativa conjuntas com eles.


Cemitério do Esplendor segue fielmente com a marca de Weerasethakul em seus takes com paisagens encantadoramente naturais, que carregam consigo a atmosfera que te flerta com a natureza do ambiente local da obra e te faz sentir. Assim como em Síndromes e um Século (2006), o trabalho de Joe (apelido do diretor) com paisagem e som aqui é também incrível e bem texturizado. A montagem de cenas com cores neon é de uso inteligente; transcende e comunica. Em uma viagem de sensações, em meio a seus tantos elementos culturais e particulares, o filme se convida a ser visto mais que uma vez. Seu realizador por vez, novamente prova ser assustadoramente inventivo.


CEMITÉRIO DO ESPLENDOR (2015)
4/5 - ÓTIMO