• Bruno Miranda

BATMAN (2022)


The Batman vai muito além de qualquer estereótipo de filme heroico, acima de tudo é um longa sobre catarse.


Em sua atmosfera completamente densa e escura, o filme se faz interessante desde os seus 10 primeiros segundos, onde o espectador se encontra mergulhando num universo, onde dor, mistério e perigo andam de mãos dadas a todo momento. Sobre as lentes de Matt Reeves um exímio diretor, uma simples cena que pode não parecer tão importante se torna impactante; O ritmo da trama é bem compassado, variando entre lentas transições de corte, para frenéticas cenas de ação, narradas pela voz de Robert Pattinson, um Batman "emo" que representa completamente a essência do Batman como visto nos quadrinhos, mas com certeza não deixa de representar muito bem a geração do novo século 20.


Definitivamente não há espaço nesse roteiro para se sentir entediado, ou se quer distraído, o maior instrumento do longa é a fotografia estelar de Greig Fraser, que dá um banho de luz nos olhos de qualquer amante fugaz de cinema. Luzes neon e contraste forte que combinando com os ângulos espetaculares de Reeves, transforma toda a experiência de Gotham num único sonho febril e mundano. Mas não podemos esquecer da trilha sonora que trás a tona o rock marcante dos anos 90 embalados por Nirvana, assim como a score que acompanha cada cena de forma brilhante, por sinal sempre em tons crescentes.


Há também facilidade de credibilidade, com um elenco tão recheado de estrelas como esse, destaque para Zoe Kravitz que é de fato uma 'Mulher Gato' autêntica; Suas cenas são sempre lotadas de sex appeal mas jamais sexualizadas, suas expressões e a forma como ela se move transmitem aspectos gatunos, mundanos e inteligentes, tal como a personagem pede. Paul Dano faz o papel do vilão principal desse filme, com o insano 'Charada' que já é um personagem bastante lendário nas franquias de Batman; Uma dica para o espectador, cada cena em que ele está em tela, vale ouro puro.


Nos respiros do filme vemos um Bruce Wayne compassado, depressivo e que só almeja um pouco de paz interna, típico do morcego mais famoso do cinema. Pattinson faz um trabalho impecável de atuação do inicio ao fim, não deixando espaço para desapontamentos; Sem dúvidas um dos melhores, e talvez até o melhor Batman da história dos cinemas. Poderia passar horas e horas o aclamando mas para não parecer favoritismo, resumo a sua presença como extremamente memorável.


Em seus momentos finais, há revelações para todos os lados, há também um clima instigante de investigação que tem a capacidade de fazer qualquer pessoa querer levantar de seu assento e não desgrudar os olhos das sequências visuais, uma experiência intensa, verdadeira e honesta em um universo que não é nem um pouco novo para grande parte do público, de fato, 3 horas de duração, não fazem muita diferença, para quem está disposto a se entregar pra uma experiência inesquecível.


Por fim, temos uma quebra de tradição da imagem que temos do herói em filmes passados, dessa vez o Batman não é mais um justiceiro endeusado pelas autoridades de Gotham e muito menos pelo próprio roteiro. Nos deparamos com a história de um aspirante a herói com motivações muito pessoais, mas que está prestes a conhecer todas as fragilidades de Gotham e as consequências das atitudes tomadas pelo próprio pai no passado, que causaram revolta e injustiça social. Agora o homem morcego não é mais a solução de um problema pontual que atrapalha o funcionamento da cidade e pode ser resolvido com um simples sinal no céu, na verdade ele faz parte de um problema muito maior, tendo que lutar pra sair do superficial e conquistar a justiça da forma correta e com motivações coletivas. É por isso que Batman dialoga com a vida real e com uma geração que está cada vez mais em busca de soluções coletivas para problemas que são responsabilidade de todos nós.


"BATMAN" (2022)
4.5/5 - EXCELENTE