• Vitor Miranda

ALL HANDS ON DECK (2021)



'All Hand on Deck' é um filme delicioso sobre amizade e amor. O filme se beneficia por não tentar parecer mais inteligente do que é. Ele abraça os sentimentos conflitantes envolvidos nas interações humanas e constrói seus personagens ao redor disso. Embora o filme não se aprofunde muito nos sentimentos de seus personagens ou em quaisquer aspectos de seus passados, os personagens parecem suficientemente desenvolvidos ao final do longa.


O filme segue dois amigos chamados Félix (Eric Nantchouang) e Chérif (Salif Cissé) enquanto viajam para o lado sudeste da França para seguir Alma (Asma Messaoudene), que é o interesse amoroso de Félix. Durante a viagem eles encontram Édouard (Édouard Sulpice) e os três se unem. O filme realmente não possui uma narrativa direta, pois escolhe mostrar a vida comum desses três amigos durante sua viagem ao invés de seguir uma narrativa mais objetiva. Realmente parece uma comédia romântica dirigida por Érich Rohmer.


A única trama real do filme é quando o longa foca na relação entre Félix e Alma e Chérif e Helena. Ambos os amigos estão tentando encontrar o amor de maneiras completamente diferentes. Félix é agressivo, exigindo atenção de Alma, mesmo que ela não esteja investindo na relação como ele, enquanto Chérif é delicado e paciente, cuidando da filha de Héléna para poder passar mais tempo perto dela.


É essencialmente um filme sobre a juventude e as emoções conflituosas causadas pelo crescimento. É uma história de amor engraçada e carismática que misturada com elementos do road-trip. Talvez o longa não tenha muito a dizer, o que não significa que seja inútil ou vazio, é só que o diretor parece se importar mais com as reações humanas e como os jovens adultos lidam com os obstáculos em suas vidas ao invés de tentar fazer um comentário sobre algum tema mais importante.


Em última análise, o que traz atrapalha a execução do filme é a sua duração. Guillaume Brac deveria ter mantido o filme por mais tempo porque, embora tenha um final agradável, acaba parecendo um pouco prematuro. Respeito as escolhas do diretor, mas não posso deixar de sentir que vinte minutos a mais tornariam o filme um pouco mais refinado e provavelmente mais complexo.


"ALL HANDS ON DECK" (2021)
3.5/5 - BOM