• Felipe Araujo

A LENDA DE CANDYMAN (2021)



Eles amam o que nós criamos, mas não a nós.

A Lenda de Candyman é uma continuação e um reflexo moderno do original O Mistério de Candyman lançado em 1992. No início do filme temos um plano contreplongée exibindo os arranha-céus que agora habitam a paisagem de Cabrini-Green, em direto contraste com os conjuntos habitacionais apresentados por um plano plongée no início do filme original. Temos o primeiro sinal de que muitas coisas mudaram na superfície deste bairro, e por sua vez na superfície da sociedade em geral, ao longo dessas quase três décadas. Estes contrastes, ou espelhos, são um constante tema no longa com uma ótima direção de Nia DaCosta.


Anthony McCoy, com uma boa interpretação de Yahya Abdul-Mateen II, é um pintor negro que após um período de falta de ideias encontra inspiração nas histórias contadas sobre Candyman, assim como a estudante Helen Lyle no primeiro filme busca produzir um artigo baseado nesta lenda urbana. Após a exposição de arte com suas obras baseadas em Candyman, a lenda ressurge e os ataques recomeçam. Temos mais um contraste com o original, aqui a história é contada por diretora, roteiristas e personagens principais negros. Esta sequência não é um filme tão assustador e não é um slasher com diversas cenas sanguinolentas. No entanto a direção precisa de DaCosta escolhe enquadramentos criativos para exibir os atos violentos desferidos por Candyman. O longa então apresenta diversos temas interessantes como a exploração do sofrimento de artistas negros, mas temos um roteiro um pouco desfocado ondes os temas não são totalmente aprofundados, provavelmente devido aos créditos serem divididos entre três roteiristas: Jordan Peele, Win Rosenfeld e a diretora.


O clímax do filme apresentasse visualmente forte e tematicamente relevante. Assim como o processo de gentrificação que transformou Cabrini-Green apresenta sequelas como a segregação populacional representada pelo personagem William Burke (Colman Domingo), o avanço socioeconômico da população negra não reflete em todos os âmbitos da sociedade, como é observado no final deste filme e em acontecimentos recentes na nossa sociedade que este emula.


A LENDA DE CANDYMAN (2021)
3.5/5 - BOM