• Bruno Miranda

BERGMAN ISLAND (2021)


Bergman Island’ é um filme dentro de outro, que instiga mistério e romances inacabados.


Baseado e inspirado no espírito de Ingmar Bergman, o longa procura ser poético em suas nuances, acertando em momentos, e em outros sendo apenas levemente vago. Marcado por uma fotografia marcante e bastante bonita, e guiado por uma direção pontual e instigante, o filme é bastante contemplativo e deveras encantador.


Mia Hansen-Løve traz ao espectador uma história que parece ser monótona ao princípio, mas se desenvolve e se enriquece pela metade do caminho, trazendo justaposição entre personagens, tempos tanto reais quanto irreais, mas são os olhos invisíveis da câmera que parecem ser capazes de lhe levarem a paisagens inimagináveis.


Na abordagem narrativa, Chris (Vicky Krieps) bastante curiosa sobre a vida pessoal de Bergman, e como ele lidava com a pressão de ser um artista, e cuidar de sua família ao mesmo tempo, procura entender as motivações do cineasta e assim há uma clara comparação, entre a vida da “personagem”, e a inspiração cinemática que entrega de forma indireta uma resposta concisa, quando no final da trama, Chris, consegue enfim fazer tudo que Ingmar não conseguiu e ainda ter sua família.


Entregando atuações sólidas e interessantes, Vicky Krieps, Mia Wasikowska e Tim Roth são o coração do filme, dando destaque também ao coadjuvante Anders Danielsen Lie, que apesar de não ter tanto tempo de tela, consegue cativar com seus olhos e sua interpretação curta e fria.


Em resumo, o devaneio visual da obra é o verdadeiro ponto forte de tudo, esse filme foi feito para os românticos incondicionais, os emocionalmente cativados, ou apenas aqueles que se sentem cativados e inspirados pelo mundo do cinema.


BERGMAN ISLAND (2021)
3.5/5 - BOM