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Oscar 2023: Confira quais são os filmes do 1º semestre de 2022 com maior potencial ao prêmio

Após o primeiro semestre período de elegibilidade para o Oscar 2023, tivemos diversos filmes que chamaram a atenção do público e de crítica. Desde blockbusters do verão ou de filmes que estiveram suas estreias em festivais como o de Sundance e de Cannes, a corrida para o Oscar já começa a tomar forma. Confira nossa análise dos principais competidores em 16 categorias dedicadas a longa metragens:


Melhor Filme

Entre todos os lançamentos desses primeiros seis meses, três filmes receberam atenção dos jornalistas que cobrem o Oscar e do público em geral. Everything Everywhere All At Once, que teve sua estreia no festival de South by Southwest (SXSW), já se consolidou como um dos principais concorrentes em diversas categorias. O longa chamou atenção pela sua história complexa e única, recebendo elogios de diversos artistas que fazem parte do grupo de votantes do Oscar. Além do sucesso entre a crítica e a indústria, o filme também é um sucesso de bilheteria, sendo o filme com o maior lucro da história da A24, distribuidora responsável pelo longa.


Outro sucesso de bilheteria e de crítica é Top Gun: Maverick. O filme estrelado por Tom Cruise já ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares em bilheteria, se tornando o maior sucesso do ano até então. Ao pensar sobre as diversas categorias técnicas em que o filme poderá ser indicado, é possível crer que talvez elas sejam suficientes para carregar o filme para uma indicação em Melhor Filme.


Elvis, que teve sua estreia no Festival de Cannes, pode não ser um sucesso absoluto por parte da crítica, que pareceu ter opiniões mistas sobre o novo trabalho de Baz Luhrmann, mas com seu desempenho significativo na bilheteria e com o buzz ao redor da performance de Austin Butler, é possível que o filme consiga uma indicação a Melhor Filme. As chances do filme melhoram quando observamos a quantidade de categorias técnicas em que o filme possui chances genuínas de indicação.


Melhor Diretor

Assim como na categoria de Melhor Filme, o nível de aclamação que Everything Everywhere All At Once recebeu por grande parte da indústria parece suficiente para alavancar as chances do filme em todas as categorias principais. O trabalho inovativo dos The Daniels satisfaz todos os requerimentos dos trabalhos que costumam ser indicados nessa categoria.


Com o número de votantes internacionais ficando maior a cada ano que passa, a categoria de Melhor Diretor tem sido um lugar para reconhecer o trabalho desses cineastas estrangeiros. Com Drive My Car ano passado e Thomas Vinterberg no ano anterior, a categoria tem formado um certo padrão. Park Chan-wook recebeu o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes por seu trabalho em Decision to Leave, enquanto Ruben Östlund venceu a Palma de Ouro por seu novo filme Triangle of Sadness. Existe uma grande chances de um desses dois nomes aparecerem na lista final dos indicados.


Melhor Ator

Austin Butler tem nas suas mãos uma das atuações mais elogiadas do ano. Até críticos que foram menos receptivos com o filme reconhecem que a transformação e incorporação do ator é inegavelmente transcendente. Além de todo o elogio por parte da crítica e do público, o ótimo desempenho do filme na bilheteria mundial ajuda a colocar o seu trabalho em evidência. Diferentemente do que aconteceu com Taron Egerton interpretando Elton John em Rocketman, Elvis parece muito mais uma figura icônica para o mundo da música, o que pode acabar ajudando Butler ao longo da temporada.


Song Kang-ho venceu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes por seu trabalho em Broker, novo filme de Hirokazu Koreeda. Apesar do filme ser um dos trabalhos menos reverenciados do diretor, Song pode ter algum tipo de simpatia dos votantes por conta da sua performance em Parasite, que falhou em garantir uma indicação para o ator veterano.


Melhor Atriz

Apesar de nunca ter sido reconhecida pela Academia por seu trabalho no cinema, Michelle Yeoh possui um currículo considerável. A atriz conseguiu algumas indicações por seu trabalho em Crouching Tiger, Hidden Dragon e uma indicação a Melhor Elenco no Screen Actors Guild por seu trabalho em Crazy Rich Asians. Tudo isso funciona a seu favor, visto que a atriz parece ter um certo tipo de reconhecimento atrasado na indústria. A sua performance complexa em Everything Everywhere All At Once deve, no mínimo, levar a atriz até o Oscar.


Keke Palmer tem recebido elogios por sua atuação em Nope, novo longa dirigido por Jordan Peele. O histórico do diretor com atores é muito bom, visto que os dois protagonistas de seus filmes foram concorrentes fortes durante a temporada de premiações dos seus respectivos anos. Além disso, o filme aparenta ser mais acessível e menos divisivo que Us, que foi um dos fatores que dificultou o caminho de Lupita Nyong'o até o Oscar.


Melhor Ator Coadjuvante

Talvez Ke Huy Quan possua a melhor narrativa do elenco de Everything Everywhere All At Once. O ator, que trabalhou em Indiana Jones e The Goonies quando era jovem, praticamente sumiu da indústria. O filme marca o seu retorno as telas e a narrativa de comeback de uma estrela que quase desistiu de Hollywood pode ser irresistível para parte dos votantes.


A atuação de Tom Hanks em Elvis foi comparado por muitos como a de Jared Leto em House of Gucci. É uma performance exagerada e divisiva que pode acarretar tanto em uma indicação ao Oscar quanto em uma indicação ao Razzie. Apesar disso, o ator é respeitado suficientemente para ser, pelo menos, considerado como uma possibilidade dependendo de como Elvis seja recebido pela indústria.

Melhor Atriz Coadjuvante

Talvez a categoria principal mais aberta até o momento. Stephanie Tsu e Jamie Lee Curtis receberam ótimas críticas por seus respectivos papéis em Everything Everywhere All At Once, mas suas performances não se encaixam no tipo de atuações que a Academia costuma indicar nessas categorias. O destino das duas atrizes depende da paixão dos votantes referente a suas interpretações.


Anne Hathaway recebeu elogios por seu trabalho em Armageddon Time, filme de James Gray que estreou no Festival de Cannes. É um papel típico dos que costumam ser reconhecidos nessa categoria, mas o que atrapalha suas chances é o fato de que a Academia parece alérgica aos filmes de Gray. Dito isso, com uma campanha certa, é capaz que a atriz faça, pelo menos, parte dos debates sobre os possíveis indicados.

Melhor Roteiro Original

Com um roteiro afiado, único e chamativo, é quase uma certeza que Everything Everywhere All At Once consiga uma indicação nessa categoria. É sem dúvidas uma das maiores certezas da temporada e é difícil imaginar um universo onde o filme não seja reconhecido por esse aspecto.


Após vencer a categoria por Get Out, Jordan Peele retorna na corrida pelo Oscar por Nope. O filme esta sendo descrito como o trabalho mais ambicioso e multifacetado de Peele, que parece ter juntado simpatia da indústria após um desempenho mais fraco na temporada de premiações com Us.


Melhor Roteiro Adaptado

Happening, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, é uma possibilidade distante na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. O filme pode não chamar a atenção dos votantes por conta de seu estilo naturalista, mas com o alvoroço ao redor de Roe vs Wade é possível que o filme consiga ser socialmente relevante o suficiente para ser reconhecido nessa categoria. Além disso, a sua indicação ao BAFTA de Melhor Diretor pode indicar um certo acolhimento da indústria internacional, que como dito antes parece estar influenciando cada vez mais os indicados ao Oscar.


Melhor Fotografia

Vindo de uma vitória na categoria por Dune, o diretor de fotografia Greig Fraser tenta novamente uma vaga por seu trabalho em Batman. É um trabalho chamativo e ele já demonstrou que é respeitado pela Academia, o que atrapalha suas chances é o fato de Batman ter sido lançado muito cedo. As suas chances devem depender do tipo de campanha que o filme receber nos meses próximos ao Oscar.


Outras possibilidades na categoria são Mandy Walker por Elvis, Jarin Blaschke por The Northman e Claudio Miranda por Top Gun: Maverick. Blaschke, colaborador recorrente de Robert Eggers, conseguiu uma indicação por seu trabalho em The Lighthouse, enquanto Miranda venceu o Oscar por Life of Pi, além de ter sido indicado anteriormente por The Curious Case of Benjamin Button.


Melhor Edição

Os principais concorrentes da categoria até então são Eddie Hamilton por seu trabalho em Top Gun: Maverick, Jonathan Redmond e Matt Villa por Elvis e Paul Rogers por Everything Everywhere All At Once. Nenhum desses nomes foi reconhecido pela Academia até o momento, mas a edição dos filmes citados é chamativa o suficiente para garantir uma vaga para pelo menos dois desses.


Melhor Figurino

Catherine Martin, responsável pelo figurino de Elvis, é uma grande colaboradora de Baz Luhrmann, vencendo dois Oscars de Melhor Figurino pelo seu trabalho em The Great Gatsby e Moulin Rouge. A parceria de sucesso dos dois devem resultar em mais uma indicação para Martin, que se consolida como uma grande candidata a vitória por seus figurinos extravagantes no longa.


Maja Meschede e Anna Robbins trabalharam no figurino de Downton Abbey II: A New Era. Robbins possui duas indicações ao Emmy por seu trabalho na série. Apesar dos visuais chamativos, o fato do filme ser inspirado em uma série de televisão acaba prejudicando a chance das figurinistas. É difícil quebrar a barreira da transição da TV para o cinema, visto que muitos dos votantes torcem o nariz para esse tipo de projeto.


Apesar da possibilidade das críticas mistas ao redor do longa prejudicarem de certa forma a percepção geral do filme, o trabalho de Colleen Atwood em Fantastic Beasts: Secrets of Dumbledore não deve sofrer qualquer tipo de rejeição. A figurinista já venceu 4 Oscars e possui outras 8 indicações na categoria, com uma dessas vitórias vindo justamente de um dos filmes da franquia.


O branch de figurinistas possui, de certo modo, uma rejeição com trabalhos contemporâneos, mas vale considerar Everything Everywhere All At Once, que apesar de seu estilo moderno é chamativo o suficiente para ser considerado como uma possibilidade na categoria.


Melhor Design de Produção

O trabalho de reconstrução nórdica de Craig Lathrop em The Northman merece ser considerado pela grandeza e pela precisão na composição do universo apresentado por Robert Eggers. É um trabalho chamativo que deve ser encarado como uma possibilidade de indicação, mesma que distante.


Catherine Martin, também responsável pelos figurinos nos trabalhos de Luhrmann, é a colaboradora principal do diretor quando o assunto é design de produção. Assim como na categoria de figurino, Martin possui duas vitórias na categoria de direção de arte, além de outra indicação por seu trabalho em Romeu + Juliet. O seu trabalho visual nas obras de Luhrmann é de uma personalidade ímpar, fazendo com que as suas chances de repetir os feitos de The Great Gatsby e Moulin Rouge com indicações duplas é bem provável.


O trabalho de Stuart Craig e Neil Lamont na direção de arte de Secrets of Dumbledore recebeu elogios por parte da crítica, que classificou o trabalho de ambos como um dos pontos altos do filme. Craig já possui 3 Oscars em seu currículo, além de outras 8 indicações por seus trabalhos, inclusive pela primeira instalação da franquia dos Animais Fantásticos. Apesar de não ter garantido a indicação por seu trabalho em Crimes of Grindelwald, Craig conseguiu uma indicação ao BAFTA, o que mostra que o seu trabalho sempre deve ser considerado.


Melhor Maquiagem e Penteado

A categoria de Melhor Maquiagem e Penteado tende a favorecer filmes com grandes transformações físicas, o que é um bom sinal para The Batman, que tem um grande trabalho de maquiagem ao redor do personagem de Colin Farrell. Elvis não fica pra trás nesse quesito, vendo que a construção do personagem de Tom Hanks é toda em cima de maquiagens de efeito especial. Além disso, por se tratar de um filme de época, a construção visual dos penteados dos personagens é chamativa.


Apesar de não tão chamativo quanto os outros citados, maquiagens e penteados também possuem grandes funções em Everything Everywhere All At Once. Por se tratar de multiversos, vemos personagens com vários tipos de visual durante o filme. É um trabalho visual que pode ser reconhecido pela Academia caso a campanha do filme tente maximizar o número de indicações nas categorias técnicas.


Crimes of the Future possui um trabalho de maquiagem muito pesado, o que pode afastar os votantes por conta da natureza visceral da trama. Mas ao olhar pro passado, Suspiria (2018) conseguiu ao menos chegar na shortlist da categoria, o que pode indicar que o branch tenha uma mente mais aberta para filmes de gênero.


Melhor Canção Original

Os principais destaques dessa categoria nesse primeiro semestre de 2022 vieram de artistas que já venceram Oscar por composição. Lady Gaga, que venceu a categoria por Shallow, retorna a corrida com a balada Hold My Hand, música crédito de Top Gun: Maverick. Com a aclamação tanto por parte da crítica quanto do público, a presença da cantora deve ser algo certo durante a temporada. As principais canções de Turning Red foram compostas por Billie Eilish e seu irmão Finneas O'Connell, que são os atuais vencedores da categoria por No Time To Die.


Quem também tenta uma indicação é Taylor Swift. A cantora compôs Carolina para Where the Crawdads Sing, que apesar de ter sido massacrado pela crítica tem tido um bom desempenho entre o público. A cantora recentemente já havia tentado indicações por Beautiful Ghosts de Cats e Only The Young do seu documentário Miss Americana, mas acabou ficando de fora da shortlist em ambas tentativas.


Melhores Efeitos Visuais

Filmes de herói quase sempre marcam presença nessa categoria. No ano passado tivemos Spider Man: No Way Home e Shang Chi and The Legend of Ten Rings indicados, o que pode ser um bom sinal para Doctor Strange: Multiverse of Madness e Batman. Apesar das críticas mistas sobre a qualidade dos efeitos visuais do filme da Marvel, ainda não existe nenhum tipo de backlash da indústria ao redor do trabalho não unificado da classe de efeitos visuais. Batman já lida com mais efeitos práticos, o que pode beneficiar o filme com a campanha certa.


Outro filme com grande parte dos efeitos práticos é Top Gun: Maverick, que deve marcar presença em mais uma categoria técnica.


Everything Everywhere All At Once parece ter feito milagres com o orçamento da produção. O filme que pode ser considerado independente possui efeitos melhores que as superproduções da Marvel. Com uma boa narrativa, é bem possível que o filme seja reconhecido nessa categoria.


A franquia de Animais Fantásticos possui uma estranha relação com o branch de efeitos visuais. Os dois primeiros longas da franquia foram indicados ao BAFTA de Melhores Efeitos Visuais, mas não conseguiram traduzir essas mesmas indicações para o Oscar. Por conta do desempenho dos filmes anteriores, é justo considerar Secrets of Dumbledore como um possível competidor.


Melhor Filme Internacional

O Festival de Cannes trouxe diversos possíveis competidores para a corrida de Melhor Filme Internacional. Triangle of Sadness de Ostlund venceu a Palma de Ouro, tornando bem possível que o filme siga os passos de The Square, seu antecessor. Close, que venceu o Grand Prix, também parece ser um forte concorrente, sendo descrito como um filme cativante e emocionante pelos críticos do festival. Broker de Hirokazu Koreeda recebeu críticas mistas durante o festival, mas parece um trabalho acessível para o público, o que pode trabalhar ao seu favor com os votantes. Apesar de uma recepção fria, Decision to Leave também pode ser um fator na corrida por conta do nome de Park Chan-wook. R.M.N. parece ser socialmente relevante, o que costuma atrair os votantes da Academia. Corsage e One Fine Morning, filmes da Mostra Un Certain Regard e Mostra dos Diretores, receberam ótimas críticas e podem ser fortes candidatos caso sejam escolhidos como representantes de seus respectivos países. RRR talvez seja a maior sensação internacional do ano. O filme é sem duvidas o concorrente mais comentado da categoria, o que deve ajudar na visibilidade do longa. O que atrapalha as chances do filme é o fato de que os votantes da Academia podem não levar a sério sua temática exagerada.